_ Entre.
Abandonei o que fazia e voltei toda minha atenção a porta. Sorri.
_ Oi Zoe! Bom dia!
Ela respondera-me gentilmente e caminhou em direção a porta coberta por uma elegância admirável.
_ Meus e-mails estagnaram... acho que já passou da hora e uma bela limpeza... pode pedir para dar uma geral pra mim?
Seus olhos analisaram cautelosamente minha mesa farta, e perderam-se em meio tanta bagunça. balançou a cabeça. Sentar-se.
_ Pode deixar. Aproveito e peço algumas amigas que parem de lhe enviar tantas cartas... e-mails... deve se sentir exausta só de olhar apar esses papéis.
Emfim alguém que me compreendia! Ri.
_ Sem dúvidas... mas por favor não faça isso. Enquanto essa mesa se manter cheia evito de cair em inadiplencia... e acredite é tudo que não quero.
_ Claro... quem quê? Mas, é impressão minha ou elas tem aumentado nos últimos dias?
_É. o indice de relacionamentos sérios costumam ter quedas drásticas e significativas com as proximidades do fim de ano. Creio que tem algo a ver com os hormonios sabe... estão todos tão afim de pegação e sexo inconsequente que acabam deixando um pouco de lado aquilo de "amor verdadeiro".
_ Os homens em especial... ao menos na maioria das vezes. Tão tolos. Tão cegos!
Suspiramos juntas e ritimadamente.
_ Bem, você tem visitas.
Aquele sorrisinho enigmático, cheio de uma animação inemotivada e desconhecida, me fez imaginar um possivel erro que pudera ter cometido naquele instante, para tamanha eloquência de suas palavras.
_ Espertinha! porque não disse nada?
Ok. Era oficial. Realmente algo de muito errado e de meu total desconhecimento estava acontecendo. O que exatamente pretendia dizer com aquilo? Me manter ausente à uma parte de história que de alguma forma envolvia-me, rendera uma bela e sinuosa exclamação na testa. Fiquei 'boiando'.
_ Desde quando vem bancando a 'papa- anjo'?
Quis vomitar naquele exato instante. Papa- anjo? EU?! Por onde ela estivera andando nos últimos anos? Alias, por onde Zoe não estivera andando.
_....
_ Não mente! já está todo mundo sabendo.
Não escondi o quão pasma estava coma noticia.
_ Sabendo? sabendo do quê? do que voce esta falando?
_ Não negue. - continuara alimentando aquelo sorrisinho coberto por malicia no rosto- não se preste a isso. Tem um cara cheirando a leite lá fora que insiste em falar com voce.
_ Comigo? -disse surpresa.
_ Existe outra Dévon por aqui?
Fiscalizara minha expressão desesperada.
_ Foi o que pensei. Vai atende-lo? Se quiser posso despachar você sabe.
Ainda não estava totalmente integrada aos fatos cujo ela acabara de me mencionar. Mas de qualquer forma, de imediato eu soube que a melhor solução seria ir pessoalmente até a recepção, e resolver tudo ligeiramente antes que acontecesse uma tragédia com minha reputação. Se é que uma grande desgraça já não teria acontecido.
Levantei da cadeira bruscamente e caminhei em direção a porta com passos pesados. Girei a maçaneta com ânsia por entre meus dedos.
Eu não me relacionava com ninguém á décadas. Então porque pensariam que eu, justo eu, estava me envolvendo com alguem assim, tão absurdamente e absolutamente mais jovem? Tirando o fato de me esperarem ansiosamente lá fora, nõa existiam motivos suficientemente convincentes para persuadirem isso de minha sensata e centrada pessoa. Eu nunca deixára nada a desejar para que minha integridade moral fosse questionada da maneira cujo estava sendo naquele momento. E pior, nas minhas costas.
Continuei minha rota pelos corredores sem ao menos piscar. Pressentia que um passo em falso sequer seria ovacionada pelos quatro cantos do mundo.
Céus! me sentia o ser humano mais sujo do mundo.
Virei o centro das atenções ao estar frente a frente com meu suposto affair. Minha platéia almejava qualquer esboço afetivo. Me pedrifiquei.
Ele sorrira delinquentemente pra mim. O fuzilei da cabeça aos pés. Se aproximara mais de braços abertos e me envolvera num abraço cheio de más intenções.
_ Oi amor! estava morrendo de saudades de você.
Aquelas palavras não haviam significado nada mediante o beijo voluposo e molhado que dera em minha bochecha direita. Senti minha pele queimando no exato lugar onde seus lábios se desprenderam.
As risadinhas um tanto significativas deixaram-me vermelha.
_ Precisamos conversar _ ele ainda sussurrou ao pé de meu ouvido antes de me soltar.
Entraria numa cratera caso ela se abrisse mediante meus olhos. Era oficial, eu deliberadamente me tornara uma trintona pervertida que adorava se aventurar com jovenzinhos. A máscara de Dévon Állyce Whitee viera ao chão finalmente. Não havia a onde se refugiar. Não havia esconderijos a recorrer... Ai de mim...
_ Achei que gostaria de me ver Dévy - continuara sinicamente sorridente´- está radiante!
_ Obrigado. -cuspi entredentes- Porque não vamos a minha sala?
Aquelas palavras soaram quase ameaçadoras. Ele havia compreendido. Se recompora sério.
_ Ah!... Claro.
Era evidente que minha platéia interpretaria cada silaba do que havia dito como um ' vamos trancar a porta e sacudir a mesa'. Como diria aquele cara do seriado: trágico.
Agora só m restava simplismente correr.
Ele me seguiu com passos intermináveis e lentos até a porta de minha sala. Ainda em seguida, mostrou-se descontraido e despreocupado com toda a irritação que irradiava por cada centimetro de meu rosto. Atravessou a soleira da porta passando por mim, e se direcionou a minha mesa com tanta propriedade, que me deixou surpresa por uns segundos . Ele nunca entrara ali. Sentou-se.
Meu olhos queimaram-o fisicamente. Sorrira apenas. Cruzei os braços demonstrando minha total impaciencia para brincadeirinhas.
_ Tenho quatro coisas a lhe dizer.-iniciei sem desfoca-lo- primeiro não me chame de amor. Segundo, pare de agir como se mantivessemos algum tipo de relacionamento amoroso. Terceiro, porque gosta de me fazer passar vergonha? Quarto, está fazendo o que aqui?
Agiu como como se não ouvisse absolutamente nada do que dissera. Continuou sorridente, e seus olhos vagavam curiosos pelo espeço sem perder um detalhe sequer. Suspirei.
_ Adorei sua sala. - comentou aparentemente inocente.
_ Christian! - me alterei.
_ É sério. Só acho que...
_Ou começa a falar a que veio, ou te jogo a pontapés janela abaixo.
Ele rira.
_Seria engraçado... você, sempre tão controlada. Mas creio que não vai ser agora que vai perder a cabeça. Só queria rever minha namorada... você sabe, o primeiro amor agente nunca esquece.
_ Cala a boca e fala logo! a verdade digo. Não percebe ? Estou quase surtando com sua presença aqui!
_ É. Você vem mudando ultimamente. Definitivamente não é a mesma Dévon que conheci á dezenove anos atrás... mas, decepções amorosa a parti, vim porque preciso falar sério com você.
_Sério...
Disse temerosa. Tratando-se dele em especial poderia esperar qualquer coisa.
_ Sério. Tipo, muito sério.-suas palavras foram ditas com pesar notável.
_ Muito sério. -repeti- Ok, o que você fez desta vez?
Todo aquele seu cinismo desaparecera dando espaço á uma expressão revoltada.
_ Ei! Peraí. nem mencionei os fatos e ainda assim já me considera culpado? Ok, não que eu realmente não seje, mas poderia ser inocente não acha?
_ Você? -ri ironicamente- tá bom.
_ De qualquer forma não significa que não tenha direito de defesa.
_ Defesa? - o olhei- claro! -bufei aliviando a tensão dos braços enquanto os descruzava- as velhas e incuráveis leis jurídicas.
_ Idem... e dali democracia.
Ele se endireitou na cadeira e suspirou enquanto vasculhava meus papéis espalhados sobre a mesa sem propósito algum.
_ o que vou dizer não é nada surpreendente, alias é bem típico - sorrira levemente em minha direção- sua irmã me expulsou de casa.
_ De novo?
_ Pois é... sabe que isso foi a mesma coisa que eu disse quando vi minhas coisas jogadas no quintal?
Caminhei em direção a janela .
_ Simples . Você volta pra casa e tudo resolvido.
Ele quem rira agora. E com vontade.
_ Desculpas? até parece que você não me conhece! Depois a Denise não merece meu arrependimento. Nosso caso é definitivo.
_ Não, não é. Nunca é.
_ Humm... então diz isso pra ela. Considerando que ontem a noite achei todas minhas coisas amontoadas no quintal de casa, sinceramente não consigo consigo compreender o que você entende por definitivo. Lembra última vez? alias, você disse a mesma coisa.
Suspirei. Aquilo era verdade.
_ Ela só está um pouco irritada.
Seus olhos reviraram-se para o teto desfocando-se dos meus. Sorriu debochado.
_ Como sempre... sabe, se eu a colocasse para fora de casa todas as vezes que me irrito com ela sem dúvidas ela viveria na rua. Denise está louca. Cada vez mais. E parece que só eu percebo isso. Ela vai surtar a qualquer momento. Anote isso.
Deu uma breve pausa. Sorrira como um maniaco para o nada.
_Disse que não me quer ver nem pintado de ouro... e soa engraçado pra mim, afinal sempre achei que isso fosse mais real como "cravado de diamantes" na realidade. E analisando os valores agregados a um e outro, a diferença é consideravelmente significativa... se é que me entende.
Toda os traços que compunham sua expressão sarcástica, deixava notavelmente explicito sua indiferença mediante aquelas palavras. Bufei.
_ E me procurou porque? -questionei sustentando uma seriedade obvia- até agora rodamos, rodamos e ao menos chegamos a um ponto definitivo. Ao menos nada que fizesse sentido.
_ Você sabe. Eu não posso viver na rua... e ficar hospedado na casa de amigos feriria meu orgulho demais... não queria pedir isso, a última vez que passei anoite em sua casa as coisas se complicaram muito, mas...
_ Que bom que sabe. - interrompi antes que terminasse- Denise e eu já temos conflitos demais. E acobertar você lá em casa mediante um crime no qual você já se confessou culpado, seria mais motivos para que iniciássemos uma guerra familiar desnecessária. Ela vai dizer que estou te protegendo quando deveria ser incriminado, o que não é verdade.
_ Qual é... só tenho você agora... sabe que não poderia sobreviver muito tempo sob as éticas, morais e bons princípios de Carmencita Whitee - deu uma pausa- também ela já me expulsou uma vez e a segunda seria fácil.
_ O que não me espanta.
_ Mas isso só aconteceu depois do senhor seu pai se queixar com ela. Eu disse que ele tava num velho caquético e gagá, e acho que não gostou muito da brincadeira... bem tive meus motivos... e confesso que não era tão brincadeira assim. Já notou que as pssoas ficam mais felizes quando omitimos coisas?
O olhei pasmada. Ele era mesmo inacreditável.
_Nã0 acredito que você...
_ ELe me irrita! - tentou se defender- aquele dia ele ficou me cutucando o tempo todo, daí uma hora acabei explodindo. Segurei muito até... e ele mereceu.
Silêncio. Balançei a cabeça negativamente ainda sem engolir os motivos que o levaram a cometer aquela audácia.
_ Titia, você sabe que meus problemas com o vovô já se arrastam à 18 anos. Não querendo aliviar a sentença da Denise, que alias não é pequena. Você sabe que o vovô é o principal motivo que leva a mamãe me odiar tanto.
Deu um pigarro. Ficou pensativo enquanto escorregava os dedo por meus papéis freneticamente.
_ Sem acusações. - Disse enquanto abandonava o ar de durona. Estava compreensiva agora- Sabemos que a Denise não odeia você, e o papai muito menos. Precisa entender que todos nós passamos por uma fase complicada aquela época. Ela jamais vai te odiar. É sua mãe . Te ama. Só não consegue lhe dá muito bem com você, por a relação de vocês ser meio... instável. Ela tem 32 anos, é normal que se sinta assim mediante sua rebeldia.
_ ÓTIMO! voltei a ser culpado.- Me olhou- Então me explica porque ela consegue se dá tão bem com a Bia.
Suspirei.
_ São circunstancias extremamente opostas. Tem idéia de como pra ela foi difícil ser mãe aos treze? Eu estava lá, eu vivenciei o drama com ela e acredite você não suportaria se estivesse no lugar dela.
Seus olhos voltaram ao nada novamente. Como se tentasse viajar a algum lugar que não o pertencesse. Um leve sorriso iluminou-se no canto de seus lábios deixando-me mais aliviada com toda a tensão do assunto que abordávamos.
_ Eu entendo isso. Mas não me julgo culpado por a vida dela ter caído em decadência. Queria me entender com ela, que no minimo nos falássemos feito gente. Ela tá mal com toda essa coisa do divórcio... queria poder ajudar de alguma forma... Todo mundo pode acha r que não me importo mais não verdade.
Caminhei em direção a ele lentamente e sorri quando toquei seu ombro afagando-o carinhosamente.
_ Eu não pensaria ao contrario. Precisa mesmo dar força á ela... mas mudando de assunto, onde você está? onde passou a noite?
_ No jardim. E acredite ela fez questão de acionar o irrigador durante a madrugada. É perversa.
Não havia ficado surpresa com a maldade de minha irmã mais velha.
_ Bem a cara dela convenhamos. Talvez possa ficar la´em casa até que as coisas se resolvam, eu não deveria mas...
Ele saltou da cadeira abraçando-me com força e beijou meu rosto antes concluisse minha fala. Estava satisfeito com nossa conversa.
_ Valeu tia! você é o máximo! sempre me salvando...
_ É... sinceramente não consigo ver o que seria de você caso eu não existisse.
Christian suspirou profundamente e soltou o ar dos pulmões nitidamente aliviado. Soltou-me. Voltou a me abraçar.
_ Cara porque não sou seu filho...- perguntara a si mesmo.
_Porque eu jamais seria mãe aos treze - respondi em meu a uma risadinha- mas preciso trabalhar agora...
Me soltou. Sorriu.
_ Pegue a chave reserva na portaria e comporte-se até que eu chegue. Isso parece difícil?
_ De maneira alguma... nos vemos mais tarde então.
Beijou minha bochecha novamente. Então voltou a esboçar um sorriso gratificante nos lábios, e se afastou caminhando em direção a porta. Acenou.
Confesso. Sempre tive uma queda altamente materna por meu sobrinho. Todo aquele zelo, tudo aquilo de proteção, amor e carinho excessivos.. me tornava meu que uma mãe de verdade. eu gostava de ser titulada assim. Afinal durante toda a vida havia o afugentado em meus braços, cedido colo , atenção tempo... Denise havia o rejeitado desde que soube da gravidez, e se eu não tivesse a apoiado ou intercedido em seus momentos surto emocionais certamente o Chris não estaria ali para me abraçar como havia me abraçado. Beijado. O aborto fora sua principal ideia até finalmente ele tivesse nascido. Talvez seje por isso que tenha o adotado de certa forma. Ele era tão pequeno e frágil... precisa de mim, de meu amor, minha proteção... não poderia suportar ver a carencia daqueles olhos acinzentados e continuar como platéia. Então tomei o papel principal.
O fato de sermos tão próximos, incomodava Denise de uma forma absurda, e ela nunca havia procurado um meio de esconder isso, ao contrario, divulgaria em outdoors se necessário. Sempre considerei esse um dos principais motivos dela ser tão distante do filho. Ele gostava de mim, preferia não se entender com a mãe a abalar nossa relação.
De qualquer forma tanto eu quanto minha irmã, sabíamos que sua relação com Christian nunca atingiria o nível que sustentávamos. A solidez. Ao menos não se ele realmente não estivesse disposto a isso.
Então me sentei em minha mesa novamente esticando os braços para cima, enquanto mais uma vez tentava continuar meu trabalho de maneira eficaz. Procurei não ficar remoendo os problemas familiares em minha cabeça agora.
Respirei fundo. Voltei exatamente aonde havia parado.
CÁP 2_ Até que morte nos separe
" Viviamos em mundos diferenets e distantes antes que Deus unisse nossos caminhos. O afeto tornou-se uma amizade pura e sincera. A admiração num amor grandioso e sublime. A partir de então decidimos que não ficariamos mais longe um do outro."
Familias Lima e Albuquerque
Convidam para o enlace matrimonial de
Julius e Roxane
Dei uma pausa em minha leitura. Senti como se um filme rodasse por minha cabeça.
_ Ela vai casar...